sexta-feira, 29 de maio de 2009

Sentidos*

Não quero seu sorriso
Quero sua boca
No meu rosto
Sorrindo pra mim
Não quero seus olhares
Quero seus cílios
Nos meus olhos
Piscando pra mim
Transfere pro meu corpo
Seus sentidos
Pra eu sentir
A sua dor, os seus gemidos
E entender porque
Quero você !
Não quero seu suor
Quero seus poros
Na minha pele
Explodindo de calor.

*Zélia Duncan
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Nalgum lugar*

Nalgum lugar em que eu nunca estive
Alegremente além
De qualquer experiência
Teus olhos tem o seu silêncio
No teu gesto mais frágil
Há coisas que me encerram
Ou que eu não ouso tocar
Porque estão demasiado perto
Teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
Embora eu tenha me fechado como dedos
Nalgum lugar
Me abres sempre pétala por pétala como a primavera abre
Tocando sutilmente, misteriosamente
A sua primeira rosaSua primeira rosa
Ou se quiseres me ver fechado
Eu e minha vida
Nos fecharemos belamente, de repente
Assim como o coração desta flor imagina
A neve cuidadosamente descendo em toda a parte
Nada que eu possa perceber neste universo
Iguala o poder de tua intensa fragilidade
Cuja textura
Compele-me com a cor de seus continentes
Restituindo a morte e o sempre
Cada vez que respirar
Não sei dizer o que há em ti que fecha e abre
Só uma parte de mim compreende
Que a voz dos teus olhos
É mais profunda que todas as rosas
Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas
Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas.

*Poema de E. E. Cummings, musicado por Zeca Baleiro
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quarta-feira, 27 de maio de 2009

O meu trabalho segue os princípios da linguística textual e não os da linguística aplicada. Então, nada de estatística.

Um dia conversando com Emílio Francisco, falávamos sobre os casos que ele tinha e tem, mesmo sendo casado. E eu dizia que não entendia isso...
Emílio Francisco disse que eu tinha uma visão muito pequena da coisa. Que ele era capaz de amar muitas pessoas. E que me amava também. Por favor não pensem que eu sou uma das "amigas" dele.
Não vou continuar falando sobre as minhas conversas com Emílio Francisco, pois já descrevi um momento com ele. Deixo aí a letra da música para vocês refletirem sobre esse amor a dois que profana o amor de todos os casais. E espero os comentários falando sobre suas reflexões.

A maçã (Raul Seixas)
Se esse amor Ficar entre nós dois Vai ser tão pobre amor Vai se gastar... Se eu te amo e tu me amas Um amor a dois profana O amor de todos os mortais Porque quem gosta de maçã Irá gostar de todas Porque todas são iguais... Se eu te amo e tu me amas E outro vem quando tu chamas Como poderei te condenar Infinita tua beleza Como podes ficar presa Que nem santa num altar... Quando eu te escolhi Para morar junto de mim Eu quis ser tua alma Ter seu corpo, tudo enfim Mas compreendi Que além de dois existem mais... Amor só dura em liberdade O ciúme é só vaidade Sofro, mas eu vou te libertar O que é que eu quero Se eu te privo Do que eu mais venero Que é a beleza de deitar... Quando eu te escolhi Para morar junto de mim Eu quis ser tua alma Ter seu corpo, tudo enfim Mas compreendi Que além de dois existem mais... Amor só dura em liberdade O ciúme é só vaidade Sofro, mas eu vou te libertar O que é que eu quero Se eu te privo Do que eu mais venero Que é a beleza de deitar...

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Sem título

Mais uma vez estou aqui como Drummond que quer escrever um verso que não sai. Eu só queria descrever como estou me sentindo: não estou alegre e, também, não estou triste. Estou tranquila e confiante.
Ontem, meu "tio" disse que tinha lido meu blog. Perguntei o que ele tinha achado. Ele me respondeu que o blog era ótimo para fazer chorar. A intenção não é fazer ninguém chorar. É, apenas, colocar no papel o que não consigo dizer.
Enfim, é isso! Estou tranquila e confiante. Alguém quer saber o motivo? A borboleta resolveu voar e descobriu que, apesar de todos os problemas, o mundo é lindo e imenso. Descobriu, também, que não é necessário ter medo. É só querer e dar o primeiro passo.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O vôo da borboleta

Como eu escrevi para um amigo e fazendo referência aos trabalhos acadêmicos...
Borboleta pequenina (2009) : Eu sempre me perguntei qual o sentido dos funerais/velórios. Dizem que chamam velório, pois estão alí para velar o corpo. Mas, na maioria deles encontramos pessoas conversando futilidades, rindo, brincando... Será que o real sentido de um velório é velar um ente querido? Ou é encontrar pessoas que nunca mais se encontraram e colocar o papo em dia?
Nós da família Rodrigues, estamos passando por um momento muito difícil: a doença de um dos integrantes. E ao invés de nos unirmos, estamos separados. Uns por estarem longe (em outra cidade e não terem condições de virem até aqui), outros por bobagens (a família, que é formada após o casamento, vive em pé de guerra).
E aos poucos, esse que "acabou" de entrar para a família ou voltou a fazer parte, já está querendo voar. Mil e um motivos fazem com que ele queira partir: as discussões da sua família, a doença, achar que está dando trabalho etc. É uma borboleta que quer voar. Que talvez precise voar, para que possa ficar em paz. Sentiremos a sua falta quando decidir voar!
Eu, uma borboleta pequenina, também, quero voar. Mas, não da mesma forma. Quero conhecer novos lugares, novas pessoas, quero me amar e me sentir amada...
mais uma vez percebi uma certa possibilidade, mas tudo concorre para que dê errado. Mesmo assim, não deixarei que isso danifique minhas asas.

Estou voando para ficar em paz!

domingo, 17 de maio de 2009

Poema para uma noite de sábado

Deitada na cama,
chorando de óculos
e ouvindo Zeca Baleiro:
"Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas."

Só para ter algo a dizer

Ontem tive uma discussão com a Sol.
Disse a ela que entendia de amor, por isso achava que o amor é uma bobagem, algo sem futuro. Ela me respondeu que eu não entendo de amor, mas sim de sofrer.
Eu entendo de sofrer? Eu entendo de sofrer!
Acho que não tenho mais nada a dizer.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Retomada de um verso para dizer adeus

É como dizem: Enterrar é fácil, morrer que é difícil!
... E como uma leve brisa você bateu na porta de minha casa e me abraçou e me beijou como se nada tivesse acontecido. E eu assustada por te ver ao meu lado, já que a alguns dias eu estava te enterrando.
Fiquei parada te olhando, tentando entender qual o motivo de você estar ali dizendo que sente saudade, que gosta de mim, que quer me ver...
Tudo de volta de novo. Todos os sentimentos voltaram: raiva, mágoa, tristeza, alegria, paixão, amor... O que devo fazer?! Sinceramente não sei. Já estava me perdendo em paixões vazias, vagando pelo mundo, tentando encontrar alguma coisa tua em outra pessoa.
Agora preciso decidir se vale a pena trazer você de volta à minha vida (se em algum momento você saiu dela).
Só por mais um minuto eu quero deitar na areia e ver o sol nascer ao seu lado. Acariciar seus cabelos, beijar sua boca, sentir o seu corpo junto ao meu. Te fazer dormir ou simplesmente amar você... Sorrir! Ser feliz por mais um momento.
Até que eu abro os olhos e me vejo te enterrando de novo. Dizendo adeus de novo. Colocando no seu túmulo mais algumas rosas vermelho sangue. E lembrando eternamente que enterrar é fácil, morrer que é difícil!Será que você nunca irá morrer dentro de mim?

Assim me descreveram. Assim me descrevi: Leoa apaixonada, doente e masoquista.
LEOA APAIXONADA: uma louca que ama sem limites, mas que não luta pelo seu amor. Pois, como costumam dizer, amamos mais desejar do que amamos o objeto de nosso desejo. Leoa apaixonada...
DOENTE: saúde física e mental abalada nos últimos anos. Muitos remédios para tumores, depressão, viroses, dengue, depressão, cólica menstrual, TPM, depressão, Sérgio, Anderson, Ed, depressão... Neste período foram receitados inúmeros comprimidos, soros, líquidos, chocolates, coxinhas, pizzas, refrigerantes, alguns quilos a mais e ombros amigos. Oh, vida!
MASOQUISTA: mas, não no sentido de dicionário. Sofro mais do que o necessário. Faço tempestade em copo d'água. Choro, me descabelo, corto os pulsos e fico me olhando sangrar até a morte que não vem.
Eu sou apenas uma garotinha que espera o ônibus da faculdade sozinha e às vezes com a Dayana. Que reza baixo por ser uma garota má ou por não saber rezar ou por não acreditar que seu Deus ou seus santos irão ouví-la.
Eu sou a que anda sempre perdida. A que a bússola nunca aponta para o norte. A que ama mais do que deveria. A que enterra seus amores já sabendo que eles irão voltar.Eu sou apenas a parte de mim que se desconhece.

domingo, 3 de maio de 2009

[Des] necessária solidão*

Às vezes precisamos estar sozinhos.
E às vezes estamos sozinhos no meio da multidão,
mesmo sem querermos.


*Dedicado a alguém que tentou entender a minha [Des] necessária solidão.

Um verso para dizer adeus

Estou a horas com a pena na mão tentando escrever alguma coisa que não quer sair. É como o verso que Drummond passa uma hora pensando e que a pena não quer escrever.
Gostaria de estar escrevendo agora uma marcha fúnebre para acompanhar o enterro da tua lembrança. A partir deste momento estou te dizendo adeus. E dizer adeus é difícil. Dizer adeus dói. Dizer adeus...
Hoje é o dia de dizer adeus à minha última quimera com você. Adeus ao nosso verão, primavera, outono e inverno. Adeus ao seu rosto, à sua voz. Adeus ao seu abraço, ao seu beijo, ao seu corpo. Adeus à parte de você que existe em mim.
Morto. Enterrado com rosas vermelho sangue. Uma última lágrima. E te deixo em algum lugar do esquecimento.


(...)


E te deixo em algum lugar do esquecimento...
...Para iniciar uma nova vida!

sábado, 2 de maio de 2009

Meu mundo virtual desvirtuado

Eu deveria estar estudando. Mas, estou na net.
Eu deveria estar na praia. Mas, estou na net.
Eu deveria estar lendo. Mas, estou na net.
Eu deveria estar brincando de boneca, soltando pipa, jogando bola, cozinhando folhas. Mas, estou na net.
Eu deveria estar sonhando e construindo. Mas, estou na net.
Eu deveria estar ajudando as pessoas. Mas, estou na net.
Eu deveria estar cantando e dançando. Mas, estou na net.
Eu deveria estar aprendendo novas línguas ou novos pratos. Mas, estou na net.
Eu deveria estar com meus afetos. Mas, estou na net.
Eu deveria estar em contato com a natureza. Mas, estou na net.
Eu deveria estar observando o céu. Mas, estou na net.
Eu deveria estar com meus amigos. Mas estou na net.
Pois, os meus amigos também estão na net.
E agora? Qual a influência da net na minha vida?!

Fuga em um dia de verão

-6hs30min passo na sua casa.
-Estou te esperando.
Se despediram e ele foi fazer algo que não estava fazendo e ela continuou fazendo o que já fazia. Ela ouviu música, tomou banho, penteou os cabelos, vestiu uma nova roupa e foi à uma festa. Ele fez coisas desconhecidas.
6hs30min: o galo cantou. Ou terá sido o celular avisando que ele chegava? Ela fechou a casa, entrou no carro e foram até o supermercado mais distante para comprar chocolate. "Saborear um chocolate é quase ter um orgasmo."
Paga-se o chocolate, vão até o carro, um beijo e um forte abraço e foram em direção à sua fuga em um dia de verão. Um pedacinho de sal, de sol, de céu, Rio e Mar e Areia que pertencia apenas aos dois.Quando chegaram lá deixaram o carro na sombra de uma árvore observando barcos que íam e vinham e foram em busca de Rio e Mar e Areia.
O primeiro que encontraram foi Mar ou o mar. O mar estava lindo: meio azul meio verde. Com ondas violentas e tinha apenas a companhia de quatro surfistas.
O segundo que encontraram foi Areia ou a areia. A areia estava molhada ou talvez seca. Às vezes eles ficavam presos nela e observavam os buracos que Mar fazia em Areia e que caranguejos se escondiam.
O terceiro que encontraram foi Rio ou o rio. E lá eles entraram e fizeram um ninho de amor, de paz, de vibração e até de morte (pois, a morte também é vida). Mas, a morte só fez parte do ninho em um pequeno comentário que se transformou em sorrisos e depois em esquecimento.
A energia, o amor, o carinho que emanava dos dois contagiou todo o local por onde os dois passavam. Eles voltaram a ser criança, esqueceram as coisas ruins e brincaram e sorriram e mergulharam e... e viveram felizes longe de tudo que tacham de certo e errado.
Então, chegou o momento de voltarem. E começaram a caminhar de mãos dadas com um forte sol em suas cabeças e ela precisou parar um pouco para respirar. "Eu não sou mais uma pessoa." "Respire. Descanse um pouco".
Ao reencontrarem o início da praia, as pessoas que antes não se encontravam lá, olhavam para eles tentando descobrir de onde vinha aquela energia, aquele amor que saiam deles. Eles sentaram e ela fez com que ele comesse e bebesse coisas que ele não comia e não bebia. E riu. E sorriu! E mais uma vez brincou com ele.
Mas, eles precisavam retornar ao convívio dos seus. Entraram no carro e às 15hs ele a deixava em casa e partiu para a sua família. E ela ficou imaginando o que ele estava esperando de uma fuga em um dia de verão.

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